Composto por Alt Niss, Drik Barbosa, Karol de Souza, Mayra Maldjian, Stefanie, Tássia Reis, Tatiana Bispo, o grupo lança seu álbum de estreia.

Com sete faixas inéditas, o disco pontua uma nova fase do grupo, que estourou nas redes em maio do ano passado com uma série de dez music videos inaugurada por uma cypher e composta ainda por collabs pré-existentes entre as integrantes e músicas-solo de cada uma.
De lá para cá, com o mesmo repertório desses vídeos, o coletivo viu sua agenda de shows crescer, e o mundo começou a ficar pequeno perto da vontade efervescente de criar e colocar nas ruas um disco com a assinatura das sete artistas. E esse momento chegou em abril, quando com papel, caneta e beats elas viveram sete dias de catarse criativa no Red Bull Studios São Paulo.

A obra, que leva o nome do coletivo, foi dirigida por DIA, que participou também da produção musical ao lado de Grou (a mesma dupla de produtores talentosos do álbum “Outra Esfera”, da Tássia Reis), responsáveis pela sonoridade tão única e inovadora do conjunto da obra. Os produtores Nauak e Deryck Cabrera também assinam beats. Em estúdio, as cantoras tiveram o apoio de Dcazz na direção vocal.

“Rimas & Melodias” é um disco tão suave quanto visceral. Suave na forma como envolve e enlaça o ouvinte em rimas e melodias sem que ele nem perceba, e na fluidez das vozes sobre gêneros abertos, do rap e do r&b, matriz da sonoridade do grupo, ao trap, funk e house. Visceral na forma como transita entre a individualidade e a coletividade do feminino e do feminismo – o negro, sobretudo – trazendo à superfície a profundidade das dores e amores de sete mulheres tão diferentes entre si, mas tão conectadas por suas vivências, poesias e discursos no hip hop, na música, na sociedade. Traz, sem dúvida, um conteúdo social poderoso costurado em jogos de palavras intrigantes e flows (levada da rima) de atordoar.

Do hino à mulher negra “Coroação”, entoado pelas rimas afiadas de Drik Barbosa e Stefanie, o disco passa pela versátil “Origens”, sobre a ancestralidade, a espiritualidade e as memórias de cada uma, e caminha para a “Paradoxo”, dueto avassalador de Tássia Reis e Tatiana Bispo, e pela “Vivência”, parceria pesdade Alt Niss e Karol de Souza, até culminar em “Manifesto/Pule, Garota”, um grito de protesto a toda e qualquer forma de violência contra a mulher, com participação potente de Djamila Ribeiro, mestre em filosofia política e uma das principais referências no movimento feminista negro atual.
As faixas são costuradas por scratches e colagens da deejay Mayra Maldjian, desde a divertida intro à parte final de “Origens”, inspirada na música armênia, aos interlúdios de “Coroação”, “Vivência” e “Sete Chaves”. É dela também a direção artística desse trabalho.

O grupo apresenta na segunda  faixa pós introdução a track chamada  Coroação, onde bate de frente com o racismo trazendo linhas fortes como

”Chega de senzala Dandara Nossa luz exala superação

Desde a senzala nosso corpo sempre foi alvo da hipersexualização” citando  a hiper sexualização da mulher negra retratada em diversos meios, como na mídia, no dia a dia e em pequenos atos no cotidiano.

Outro verso forte como

”Quantas Maria Eduarda vão ter que morrer pra despertar sua comoção Seus olhares são como balas perdidas Não hesitam em barrar nossa ascensão”

Maria Eduarda foi uma jovem que morreu devido a troca de tiros entre PMS e bandidos dentro da escola municipal Jornalista Daniel Piza, em fazenda Bota Fogo.  No qual foi constatado que a o projétil de bala não partiu de uma AK-47 (Como dito pelos policiais) e o caso segue sem conclusão.

 

 

Como dito na mesma track o que retrata o disco, é sobre lutar, sobre viver.

Em uma das entrevistar para o RedBull  as meninas explicam como foi a escolha do primeiro single do disco

”Quando nos reunimos pra alinhar o conceito do disco, surgiu a ideia de fazer uma música que falasse das origens de cada uma, desde ancestralidade e espiritualidade a memórias de infância e referências musicais herdadas da família. Passamos as ideias para o DIA e o Grou que vieram com um beat incrível. As letras foram criadas basicamente dentro do estúdio da Red Bull e quando saímos de lá já sabíamos que essa seria a primeira a ser lançada.
A minha parte, que é instrumental e vem por último, criei com os meninos me revezando no home studio de cada um. Essa música é uma loucura, muito potente, tem uma energia forte, acho que vai surpreender tanto pelo formato quanto pela mensagem. É um som que não tem refrão e ao longo dos sete minutos o beat vai se transformando. E o clipe vem na mesma pegada, com um visual pesado que mistura o estilo de cada uma com elementos étnicos. Todas nós sabemos e temos orgulho de onde viemos, e registrar um pouco da história de cada uma no primeiro disco só nos fortalece.”
 – Mayra Maldijian para o RedBull.

 

Ouça o álbum no youtube

 

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