Estava navegando pela interwebs, numa quarta-feira, quando um amigo, Shawn, me mandou uma mensagem. Nela, ele me fazia uma solicitação para acomodar-se em minha residência durante um evento. Rapidamente, sem saber das circunstâncias, dei sinal verde. Então ele sairia de Maceió-AL, no dia seguinte, juntamente com duas pessoas que eu não conhecia e passariam o fim de semana na minha casa. Após uma intensa viagem de ônibus, com mais de seis horas, os três chegaram em Recife-PE. Os dois homens, maravilhosos, que Shawn conheceu há duas semanas somente, eram Noah e Laff.  Fiz a recepção, apresentei a minha mãe, demos um jeito de nos acomodar no meu quarto e pronto: começava assim a jornada de Deboxe.

Bom, antes de mais nada, Shawn teve que ir resolver seus problemas para dar a devida cobertura, suporte, ao evento. Esse evento era um show, no Arvoredo, com Diomedes, Baco, Mobb, entre outros. Ainda estávamos sobre efeitos de euforia de sulicidio… mas enfim.

Eu, Laff e Noah ficamos em casa trocando ideia e projetando algumas coisas para o futuro. Após passar a tarde ouvindo e procurando beats, decidimos gravar uma track no outro dia, sexta-feira, com um amigo meu: Brayan. Iriamos na 9k, estúdio que ele estava trabalhando, e faríamos todo o trabalho com ele. Naquele momento (alguém), que não me recordo, teve a ideia de fazer um remix da música That Part (Schoolboy Q ft Kanye West). Todos concordaram e gostaram da ideia. Rapidamente Laff escreveu sua parte no celular. Noah começou a providenciar o refrão. E eu só fiquei nervoso mesmo, porque não tinha costume de escrever nada tão rápido. Sempre fui muito crítico, então demorava bastante. Mesmo assim, decidi que iria fazer o meu melhor… infelizmente passei o resto do dia a ver navios. Não consegui produzir nada.
Enquanto a hora de darmos um rolé na cidade se aproximava, decidimos chamar Lucas Gaki para participar da track. Também contatei um outro amigo, Vitor, para se bater com a gente na 9k. Felizmente, ele já ia pra lá e aproveitamos para fazer umas coisas juntos também.

Na sexta-feira fomos até a 9k, Gaki já tinha escrito a parte dele e eu: nada ainda. Encontramos Brayan, apresentei a galera, mostramos a ideia do projeto e ele abraçou. Deu todo suporte que a gente precisava. Enquanto Vitor gravava suas tracks, a cúpula começou a colocar Deboxe no papel. Laff deu a ideia de trocarmos “That Part” por “Deboxe”. Pela primeira vez, escrevi minha parte em alguns minutos. Noah fez ajustes finais no refrão. E Gaki ficou bolando mais ideias tanto para a música, quanto para o marketing necessário.
Tudo parecia estar dando certo, mas isso não combinaria com essa track… E é aí que está o grande motivo desse texto:

Para começar, a letra de Laff estava no seu celular. Só que o celular quebrou no rolé que demos no dia anterior. Então ele teve que improvisar tudo.
Ficamos muito tempo conversando na 9k, então não deu tempo de gravar algumas coisas. Mas ok, até aí tudo bem. Voltaríamos, eu e Gaki, outro dia e terminaríamos.

O fim de semana seguiu, fomos ao show, tiramos onda, brincamos, fizemos mais planos e o trio de Maceió teve que ir embora na segunda-feira. Marcamos de ir para Alagoas, num evento que Laff e Noah se apresentariam. E lá iriamos performar Deboxe ao vivo pela primeira vez. Seria o fechamento perfeito desse ciclo. Mas nem tudo são flores né?

Antes disso, voltamos a 9k para gravar o que faltava da track. Gravamos, ficou do jeito que queríamos, porém… um tempo depois Brayan acabou perdendo as vozes. Ou seja? Teríamos que ir lá uma terceira vez. Sem problemas, fomos e gravamos de novo. No entanto, enquanto Brayan finalizava a track, fiquei sabendo que um outro artista tinha feito o mesmo remix e lançado pelo RND, mas infelizmente, o remix dele acabou tomando strike no Youtube. Então a cúpula decidiu que precisaríamos de um remake do beat. Fiz contato com algumas pessoas que poderiam refazer e uma logo de cara aceitou. Ficamos esperando ansiosamente, afinal gravamos em Fevereiro e já era quase Abril. Queríamos lançar logo antes de performar ao vivo em Maceió.

Maio chegou e o dia da viagem também. Peguei um ônibus com Gaki e minha namorada. Ficaríamos na casa de Laff e passaríamos o fim de semana por lá. O remake só ficou pronto no dia do show. Felizmente poderíamos performar ao vivo e voltar pra casa com um sorriso enorme não é? Não. O remake não passou nem perto do que esperávamos. Um mês e meio e não tinha ficado do jeito que queríamos. Então decidimos fazer o show com o beat que pegamos na internet.

Bom…. É aqui que chegamos no ápice: Viajamos por sete horas, tiramos dinheiro de onde não tínhamos, gastamos meses na produção e a track não ficou pronta.
E melhor, quando subimos no palco, anunciamos a track e etc., por algum motivo, o arquivo estava dando erro. Eu não entendo muito disso, mas o dono do Notebook me disse que só funcionava arquivos de áudio em MP3. E o da nossa track estava em WAVE…. Vai entender.

Laff e Noah continuaram seu show, que foi lindo. Digno de artistas que nasceram para ser grande. No fim, ainda cantamos Deboxe acapella. Mas não era a mesma coisa.
Me senti a pessoa mais azarada do mundo. Pior, pareceu que toda luta que tive foi em vão.
Depois de refletir bastante, conclui que tudo isso foi um aprendizado para algo maior. E que devíamos lançar ainda Deboxe.

Antes de voltar para minha terra, conhecemos muita gente boa em AL. Pessoas que viviam nessa correria. Pessoas que davam o sangue, como nós demos, para lançar seus projetos. Eu vi que não era só eu. Vi que, pra dar certo, você tem que errar muito. E que isso é só o começo.

Conhecemos Bugado MG, ele tratou de fazer o remake do beat. Contatei Lucas Guerra e ele fez uma arte absurda. E embora os prazos fossem adiados, enviei tudo para as mãos de Locaut que finalizou a track. Apesar de todos nós ainda termos regravado mais uma vez as vozes e, no dia do lançamento, meu pc ter dado pau, consegui enviar pra Brayan e ele fez o upload. Começou e terminou com ele… nada mais justo!

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